domingo, 26 de abril de 2009

Como conseguem caminhar as lagartixas nas paredes?

Há muito que os cientistas focam a sua atenção na especial habilidade da lagartixa em fixar-se nas paredes, independentemente das suas condições: lisas ou molhadas ou mesmo no vácuo, nada as detém. Durante muito tempo pensou-se que as lagartixas possuíam microventosas. Foi Uwe Hiller, em 1960, que avançou para uma explicação mais simples: a existência de forças atractivas entre as moléculas da parede e as moléculas da pata da lagartixa. Poucos levaram a sério os estudos de Hiller.
Mas em 2000, num artigo na revista Nature, Autumn reforçou as ideias de Hiller mostrando que são forças intermoleculares as responsáveis pela adesão das moléculas dos pêlos microscópicos da pata da lagartixa à superfície da parede. Os dedos das lagartixas têm milhões de pequenos filamentos, cada um com comprimento de cerca de 100 milionésimos de metro.
Quando as lagartixas pressionam as patas contra uma superfície, os filamentos espalham-se e cobrem uma área relativamente grande. Aumentando a superfície de contacto, aumenta a intensidade das forças intermoleculares (Forças de Van Der Waals) entre a pata do animal e a parede. De acordo com os investigadores, se a lagartixa usasse todos os filamentos dos seus dedos ao mesmo tempo, ela seria capaz de sustentar mais de 120 quilos.
Esse princípio, que explica a habilidade das lagartixas de se fixarem às superfícies, vai ajudar os cientistas a desenvolverem um novo tipo de adesivo, com design inspirado na geometria dos dedos do réptil. De acordo com o biólogo, as microestruturas adesivas poderiam ter inúmeras aplicações, que variam do desenvolvimento de fitas aderentes à construção de robôs com pernas.
Investigadores do MIT (
Massachusetts Institute of Technology) criaram um curativo interno que pode ser usada em cirurgias ou ferimentos internos, tendo por base uma microestrutura similar à que torna as patas da lagartixa extremamente adesivas.

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